4 meses e 4 coisas que aprendi

Bruno, meu irmãozinho mais novo, tem quatro meses. Ele já me ensinou bastante nesse curto tempo de vida. Talvez você, que não tenha um irmão mais novo com 18 anos de diferença de idade, não saiba disso.

1: Bebês tem esse superpoder de esquentar cada cantinho do seu coração, até nos dias mais tristes!

2: O peido deles é tão fedido quanto o de um adulto, às vezes até mais.

“Foi você? Ah, fui eu...”

3: Eles ADORAM se agarrar nos cabelos dos outros e puxar.

4: Eles adoram se jogar das camas e do sofá. De preferência de cabeça. (Mas meu irmão nunca chegou a cair, eu juro)

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Filme: O Extraordinário

Há alguns anos atrás, li o livro que inspirou a produção desse filme (resenha aqui).

Dias depois de ver esse filme, entrei em uma conversa engraçada. Minha amiga me explicava porque ela andava tentando não ver os filmes dos livros que havia lido, ou não ler o livro depois de ter visto o filme. Ela disse que isso estragaria ou o livro ou o filme. Infelizmente, nesse caso, ela estava certa.

Resumão: Auggie é um menino de 10 anos que nasceu com uma deformação facial. Ele nunca foi à escola, até agora. O filme gira ao redor de Auggie, e como é explicado no filme e no livro, ele é o Sol de sua casa. Não apenas por ser um menino brilhante e muito querido, mas também porque exige atenção constante dos pais, já que não tem amigos.  Esse é o clássico filme de domingo para ver com a família: tem seus momentos de risadas e lágrimas, mas é  leve e te deixa com uma vontade de aproveitar a vida.

Comparação: Livro X Filme

Como (quase) sempre, o filme deixou alguns detalhes importantes de lado. Eu, que já havia lido o livro, consegui perceber, mas quem nunca leu, nem vai sentir falta. Faltou explicar a importância da trança que o menino tinha na nuca, por exemplo. Porém foram fiéis aos diálogos e a ordem cronológica do filme. Até as frases de efeito do Auggie no fim do livro foram usadas!

SOBRE O FILME

Adorei como nos fizeram entrar na cabeça do menino, mas sem aquela leitura de pensamentos clichê. Trouxeram o Chewbacca para a história (Auggie ama Star Wars), como um amigo imaginário. Ele aparecia quando o garoto notava todos olhando para ele ou quando tinha que lanchar sozinho, para amenizar a vergonha. Ninguém mais conseguia vê-ló, é claro.

Fiquei extremamente decepcionada ao descobrir que o ator que fez Auggie, Jacob Tremblay, usou maquiagem para criar as deformações. Sei que seria mais difícil encontrar e trabalhar com um menino que realmente tivesse o mesmo problema de Auggie, mas não é exatamente esse o ponto do filme: mostrar que a aparência não te impede de ser quem você quiser? Com certeza deve ter alguém nesse enorme mundo com os problemas de Auggie, e o sonho de ser ator. Perderam uma oportunidade aí. Mas Jacob fez um trabalho incrível, não posso negar. E parabéns aos maquiadores também, as cicatrizes e marcas ficaram incríveis.

Ao sair do cinema, a sensação é de realização, pois Auggie conseguiu sobreviver ao seu primeiro ano na escola e ainda conseguiu ótimos amigos, mas também de culpa. Perdemos tantas oportunidades de fazer amizades, de ajudar, por causa de um preconceito com a aparência ou meros boatos sobre os outros. E pensar que eu poderia ter sido o Jack ou a Summer na vida de alguém, e não fui. Fica essa reflexão para fechar o livro, o filme e esse post.

Até a próxima!

Over there I swear I saw them cameras flash 

Deixamos o calor do sol nos invadir.

Modelo: Yris Padilla

Confira mais fotos pelo meu instagram clicando aqui.

Meu Ano de Vestibular

Inicialmente digo que vou sentir falta de cada momento bom que tive esse ano. Comparados aos momentos de estresse e obrigações, foram poucos. Mas, nesse caso, os fins justificam os meios.

Escrevo esse texto em uma madrugada, três dias antes da prova que eu estudei o ano todo para fazer, e mesmo assim escuto que não será o suficiente, justamente das pessoas que mais deveriam me apoiar nesse momento. A verdade é que está todo mundo de saco cheio, e eu sei que só escuto isso porque não mostro que estou surtando. Quero parecer bem, feliz, confiante; por mais que em diversos momentos eu não me sinta assim. E não digo isso porque penso que deveria ter estudado mais, ou me organizado melhor. Na verdade, acho que não importa o quanto eu estudasse, sentiria e ouviria as mesmas coisas agora.

Foi o pior ano da minha vida até agora. Não levem a mal, mas eu sempre fui de fazer apenas o que gostava. Estudava porque gostava, fazia aulas de piano, ballet, handbol, natação, violão, canto, teatro, jazz, musculação, pilates, yoga, nado sincronizado… E esse ano parei tudo. Meus dias pareciam vazios. Por mais que estudasse, no fim, se me perguntassem: “o que você fez hoje?” eu diria “estudei”. Eu amava minha vida cheia de aulas pelas quais eu era apaixonada. Esse ano tive que me contentar apenas com as de português, literatura, história e geografia. Mas em 2017, tudo volta ao normal. Na verdade um novo normal, no qual eu estudo jornalismo e tenho aulas interessantes durante a semana toda.

Criei uma raiva por química, física e matemática. Tenho certa facilidade, mas não gosto desse sistema mecânico e tão simples. Pode parecer difícil para muitos, mas é apenas uma questão de aprender um caminho de raciocínio e executa-lo repetidas vezes até ser capaz de “entender”. Eu gosto de aprender sobre o passado, os detalhes da vida de quem foi importante. A ideia de ser lembrado me fascina, e para os vestibulandos, muitos desses gênios apenas nos remetem às fórmulas. Odeio fórmulas. Mesmo assim, é a parte das exatas que mais entendo.

Esse sistema de ensino não faz muito sentido, todo mundo já sabe. O que importa agora é que deu certo. Vou finalmente aprender o que eu quero. E eu sempre soube o que queria. Estudar jornalismo foi uma escolha que eu fiz quando tinha poucos anos de idade, era o meu sonho infantil. A máquina de escrever, as câmeras fotográficas, as passagens de avião, de shows, os microfones de telejornais, de rádio, as frases feitas, as novidades, a arte de se comunicar com os outros sempre me atraiu, por mais que eu não fosse (e ainda não sou) a pessoa mais habilidosa para puxar  conversas. De certa forma gosto de me expor apenas em partes, manter um universo em que só quem eu deixo pode entrar (a minha cabeça apenas alguns podem tentar entender).  Eu sou curiosa, na verdade, pelo mundo dos outros.

Isso foi um desabafo. O que eu gostaria de poder dizer para todos os que ainda farão vestibular é: façam da forma que entenderem dar certo para vocês, mas deem o seu melhor em cada segundo. Já dizia minha mãe: preguiçoso trabalha duas vezes. Podem acreditar, se você quer passar para um curso de média-alta concorrência, esse não vai ser o melhor ano da sua vida. Mas isso não quer dizer que será ruim. E por último: ignorem os seus pais quando for necessário. Se eles lhe disserem para estudar mais, repense se deve ou não, e se lhe disserem para estudar menos, repense também. Eles já fizeram o vestibular deles, mas nem sempre são corretos ao julgarem como você faz o seu. O ano é seu; você faz o que quiser, porém não se engane jamais.

Finalmente completei essa jornada longa e exaustiva de ensino obrigatório. Só resta a saudade. Agora, vamos ao que ME interessa! 🙂

6 on 6 – Janeiro

Como estou de férias e vivo em uma ilha, eu não faço muito além de ir à praia, sempre que dá, ou ficar em casa porque está muito calor na rua. Meu primeiro 6 on 6, então, não poderia fugir disso. O fato de uma amiga da minha mãe ter uma filha muito linda que adora aparecer em fotos foi irresistível, tive que fotografar.

 

• 1 – Foto tirada na Lagoa da Conceição, dentro do barco do meu pai, usando uma GoPro Hero 3.

• 2 – Por do Sol em Ibiraquera, quando disseram que havia uma super lua, que pra mim, na verdade, foi apenas uma lua cheia bem grande.

• 3 – Mais um por do sol, dessa vez no Campeche.

Não deixem de conferir o post das outras meninas que estão participando desse projeto comigo :JúliaEduardaSchaianeCarlaBarbara.

Beijão!

 

Notas de Outubro

Sobre o apartamento que já tem uma árvore de Natal: Ela ficava no cantinho da sala, perto da janela. Inofensiva, aparentemente. Ela esperava ansiosamente o Natal. Contava os dias, os presentes e as comidas que teria. Contava os primos, as primas e as tias que veria. E mais do que isso, contava os segundos para o ano acabar, para que tivesse novas chances de ter a vida que desejava, para que pudesse talvez fugir daquele marasmo que era viver no apartamento à beira mar, presa a uma família que vive cada um a sua vida enquanto ela vive todas, sem aproveitar nenhuma. Ela era a base de uma estrutura pesada, insustentável, instável e talvez naquele próximo ano poderia se livrar de todos e viver uma vida só dela, sem outros. Mas aquele ano seria exatamente como foi o que esperava ansiosamente acabar, pois ela era a mesma, o marido, os filhos, a avó, as tias, os primos, a casa, a rotina, tudo permaneceria igual e todos precisariam dela ainda por algum tempo, até que suas energias se esgotassem e ela se visse sem vida alguma para viver, lembrada como uma pessoa maravilhosa e santa, que estava sempre de bem com a vida e nunca saía da zona de conforto. Os anos trouxeram os novos dias, mas não os milagres que tanto desejava, ou a coragem para torná-los realidade.  

 2016 acabará em 42 dias. Não se iluda com a ideia de um grande ano, viva uma grande vida em todos eles. 

Uma mulher da noite

Sou uma mulher da noite, mas não a que você conhece. Os vestidos curtos, lindos e desconfortáveis, que imploram por uma semana de alimentação leve; os sapatos lindos que deixam calos do tornozelo até as pontas dos dedos; as bolsas que mal cabem os documentos mas esbanjam brilho, permanecem no armário sempre que possível. As noites de festas, luzes coloridas e músicas taquicardiacas são especiais, quase raras.

Sou uma mulher da noite, mas não a que você julga repleta de tédio: olhadas para o teto, assaltando a geladeira, vendo nada na televisão ou matando tempo na internet. Noites improdutivas são para dormir.

Sou uma mulher da noite de vícios: conversas de perder horas e esquecer o relógio; sentimentos tão belos e complexos que só a luz da lua consegue decifrar e transformar em poemas; madrugadas de estrelas, tão frágeis quanto as nuvens; livros lidos como filmes; filmes vistos como memórias vivídas em outras vidas; histórias tão loucas que se tornam realidade; vinhos bebidos como poções mágicas para risadas e aventuras; fuga para lugares inesperados. A madrugada é o momento de fazer tudo aquilo que ninguém acreditaria mas qualquer um gostaria de ter feito. É o momento em que não há olhos julgando seus sorrisos e pensamentos. As lágrimas da madrugada são as mais verdadeiras e inevitáveis. Após a meia noite é a hora de libertar a curiosidade, a sede por conhecimento, seja do próprio corpo ou do mundo de outros. A noite não apenas esconde segredos, muito mais os revela, porém poucos estão acordados para ler e escrever noites inesquecíveis e intimistas, a ponto de serem lembradas na manhã seguinte como sonhos. E quando você se pergunta “aquilo aconteceu?” incrédulo e em êxtase é que sabe o que é viver como um amante de luas.

E se nada disso te trouxer lembranças que fujam do clichê das matinês, então você nunca conheceu uma mulher da noite.