Sobre o fim do terceirão

Minha vida de ensino médio acabou. Faltam alguns dias para liberarem o resultado do vestibular, pro qual eu estudei muito o ano todo. Lembrar do esforço é definitivamente a única parte ruim. O resto, já me dá saudade.

Todos dizem que vamos sentir falta dos professores, dos colegas, das aulas, dos problemas de aluno e de adolescente. Algumas coisas eu ainda não consigo me imaginar sentindo falta, por exemplo: o professor de química que tinha uma caligrafia maravilhosa mas me irritava por demorar muito pra falar; as broncas; o professor de matemática que saía fazendo cálculos e escrevendo no quadro sem nem olhar na cara dos alunos pra ver se a gente entendeu (e nunca entendíamos); tinha uns que cuspiam ou tinham um bafo muito ruim; os alunos chatos que falam coisas desnecessárias do nada; os professores que suavam muito; as brigas pelo que faríamos na formatura…

Mas outras, já me deixam com saudade, como: o bordão de cada professor: “sua apostila de química 4”, “piá peludo”, “bom senso”, “vocês estão bem?”, “não sei se eu fui claro”, “vamos começar o nosso baile”; o professor de matemática que falava um inglês forçado só para rirmos (e eu me matava de rir); as ameaças do professor de química; as festas de formatura; os macetes hilários “tem tango na Argentina mas tem tango no Brasil, humm pelo menos o tango da Argentina é um tango bom”; os alunos imitando os professores; as conversas entre as aulas; as fofocas; o JICLA; a velhinha que vendia doces na porta do cursinho;os cappuccinos; as músicas de literatura; eu poderia passar o dia todo listando tudo que me fará falta.

Eu agradeço por cada segundo desse ano. E gostaria de poder agradecer cada pessoa que participou dele, mas algumas eu nem sei o nome, outras não tenho como entrar em contato. Enquanto estudava, achava que ele estava sendo horrível, cansativo, penoso e muito tedioso. Agora vejo que tive vários momentos maravilhosos dentro e fora da sala de aula. Valorizei muito mais os de fora, é claro.

Não faria tudo de novo, mas fico feliz que tenha sido do jeito que foi. Foi bom, foi como o planejado e espero que tenha sido o suficiente pra alcançar todas as minhas metas. Feliz 2017 pra vocês!

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Em um futuro perfeito…

 “Eu não pertenço a esse lugar.” disse uma menina de 7 anos em meio a um dia de sol à minha mãe. Ela cresceu, decidiu viajar o mundo e mostrar a todos a beleza nele existente. Sofreu com a tristeza que viu e sorriu durante inúmeras tardes ensolaradas. Fotografou momentos lindos, outros, guardou para si. Absorveu todas as informações que pode das pessoas mais sábias ao seu redor. Deixou de viver pequenas aventuras para atingir objetivos gigantescos. Sonhou muito mais durante o dia do que enquanto dormia. Apaixonou-se por detalhes, pessoas e por ela mesma. Nunca pertenceu a lugar nenhum, mas sim ao mundo. 

Pelos meus 3 anos de blog e 18 anos de vida. Espero poder ser a Isabela de 50 anos que imagino escrevendo esse texto. Por enquanto, sou apenas a de 7, que sonha em conhecer o mundo e quem sabe encontrar um lugar ao qual poderá pertencer.

Agradeço a todos vocês que leem meus textos ocasionais, um beijão.

Fotos perdidas, histórias que jamais serão esquecidas.

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Passei o último final de semana acampando com a minha família e o meu namorado. Acabei deixando meu celular desligado quase o tempo todo. Usei-o apenas para tirar algumas fotos. Infelizmente, por um problema no meu computador, perdi a maioria delas. Mas tudo bem, as memórias continuam aqui e daqui não irão sumir (a menos que algum dia eu tenha alzheimer ou leve uma pancada bem forte da cabeça).
Outra coisa que não irá sumir tão cedo é a sensação de total tranquilidade que eu tive longe de tudo e todos. E ao voltar, a pressão voltou junto. A pressa, a sensação de estar desperdiçando tempo, a ansiedade por fazer algo que ainda não descobri o que é. A vontade é simplesmente sair correndo e gritar bem alto pra esvaziar qualquer sentimento ruim que eu tenha guardado aqui. Talvez não funcione, mas quem sabe um dia eu tente.
Foram 4 dias praticamente sem me olhar no espelho, totalmente sem maquiagem, sem perfume, roupas bonitas e acho que nunca me senti tão bem comigo mesma. É claro que logo que voltei já arrumei o cabelo e fiz minha maquiagem, mas continuei satisfeita comigo como nunca estive antes.
Acampar na beira da praia, dormir com o som do mar, e apenas observar as estrelas. Todo mundo deveria experimentar tal sensação algum dia. A natureza é a coisa mais simples e revitalizante que temos.
Adultos estressados, adolescentes procurando uma fuga e crianças diversão. Esqueçam os hotéis chiques, parque-aquáticos e e os de diversão. Escondam-se nas florestas, tomem banho de mar, e observem as estrelas. Somos tão pequenos pra se preocupar.

Um simples pôr do Sol

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Hoje eu saí para ver o sol se pôr. Fiquei alguns minutos sentada no chão com a minha irmã apenas olhando o céu. Se estava lindo? Muito. Mil vezes mais bonito que uma foto. Foi um momento simples do dia, mas me fez completamente mais feliz. E nisso eu pensei na minha mãe que estava em casa, e em todas as pessoas que estavam ocupadas demais pra ver aquilo. 5 minutos já era o bastante, mas nem isso algumas pessoas estão dispostas a aproveitar.

Alguém me disse que ouviu outra pessoa dizer que o mundo é feito de gente que espera. Espera o fim de semana para sair de casa, espera uma companhia para o café, espera uma vida inteira para perceber que não deveria ter esperado. Felizes são aqueles que fazem tudo o que querem. E eu falo agora de coisas simples como um pôr do Sol, um dia bonito na praia, uma noite de lua cheia.

Passamos uma vida toda estabelecendo prioridades. Estudo, trabalho, família, essas são as da maioria. Mas nos esquecemos de nós mesmos. Ninguém vai notar se deixarmos de fazer uma pequena coisinha para sermos felizes. Daqui muitos anos eu vou esquecer do que  deixei de fazer para ir ver o pôr do sol, mas aquele momento, simples, no qual eu abracei minha irmã, olhei pro céu e percebi como era feliz, vai permanecer pra sempre na minha memória.

O amanhã não tem fim.

O futuro é uma estrada interminável

Gosto de rabiscar cadernos. Escrever frases sem significado algum, encontrar graça em poemas tristes, sentir as emoções de uma música. Chorar com filmes felizes, rir de pequenas ironias, observar a repetição dos acontecimentos universais, analisar e talvez até julgar as ações humanas. No fim de tudo, somos todos irracionais. Egoístas o suficiente para achar que somos a exceção. Mas na maioria das vezes não somos. E eu gosto disso.

Nossos erros e acertos nos fazem sentir. Imagine um mundo sem emoções. As pessoas confundem esse mundo com o futuro. Há tanta pressa para se chegar a esse estágio da vida, que quando notamos, ele já passou. Quer dizer, nunca existiu. Não há porque se preocupar tanto com o futuro. Ele sempre vai estar ali. E não é porque eu esqueci da existência dele por alguns minutos que ele vá desaparecer.

Tudo é uma questão de tempo. Não de idade. É tempo que se gasta e como ele é gasto. Saber a hora de fazer o que queremos e a de fazer o que é preciso. Qualquer um que não consiga estabelecer um equilíbrio entre os dois, não ficará satisfeito com a vida que tem. Continuará imaginando como seria ter a vida de outro. Quando nos conhecemos bem o suficiente para realizar essas duas tarefas sabendo qual é qual, temos tudo o que queremos.

Algumas pessoas já se esqueceram de como os seres humanos são frágeis. Não somos invencíveis. Podemos morrer a qualquer momento. E aí sim, não teremos um futuro. Mas se eu morresse agora, pelo menos teria um passado. Uma vida da qual me orgulho, vivo e vivi com muito prazer. Posso parecer nova para dizer isso. Muitos vão olhar e dizer que eu ainda não vivi nada, mas com certeza já aproveitei mais que muitas pessoas. Porque eu sei muito bem o que eu quero e o que eu preciso fazer, e realizo ambos da melhor maneira que consigo.

Minha miniatura

Faz oito anos que eu deixei de ser uma criança, e me tornei a irmã mais velha. Faz oito anos que eu convivo com um ser exatamente igual a mim em aparência, mas totalmente o contrário em personalidade. Eu queria vermelho, ela quer azul. Eu queria tocar guitarra, ela quer tocar piano. Eu queria tirar fotos, ela quer ser fotografada. Eu caía e chorava, ela cai e volta a correr. Eu me soltava em cima de um palco, ela já é solta por natureza.

Estou longe de ser a melhor irmã do mundo. Passo meses sem brincar. Mas sei que mais do qualquer outra coisa nesse mundo, ela sempre vai estar feliz enquanto estiver comigo. Temos dias de puro amor e outros de muitos gritos. Às vezes eu a abraço forte demais, às vezes é ela quem o faz. Mas no fim, nossas covinhas continuarão se afundando em nossas bochechas sempre que alguém nos perguntar “Você é a irmã dela?”.

Ser irmã é ser tudo ao mesmo tempo. Ajudar como uma amiga, aconselhar como uma avó, preocupar-se como uma mãe, brigar como inimiga, incomodar como um tio chato, cuidar como uma babá, divertir como um pai. Mas, no meu caso, sem obrigações. Tudo o que faço por ela é porque realmente quero. Eu não tenho um papel sólido. Posso ser qualquer coisa para essa criança. Posso também não ser nada. Mas no fim, nada disso importa. Ela sempre vai ser a minha “mini-cópia”.

Um abismo de coisas iguais

Algumas pessoas nasceram para se sentirem prestativas. Elas precisam resolver os problemas da maneira mais rápida possível. Tanto faz se esses problemas são sérios ou não. Tanto faz se forem deles ou de outros. Tanto faz se no fim não tiverem importância. Na cabeça dessas pessoas, eles tem que ser resolvidos.

Existem também aqueles que não sabem conviver em paz. Tudo tem defeito, tudo pode ser melhorado. Nada é bom o suficiente, e nada é tão ruim que não possa ser consertado. Perfeccionismo deixa de ser apenas uma característica, vira uma mania, uma maldição. E a partir disso vem o egoísmo, a ideia de que “se quer algo bem feito, faça você mesmo”.

 Quando juntamos uma pessoa perfeccionista e uma com mania de ser prestativa temos um grande problema. O perfeito quer tudo tudo do seu jeito, mas o prestativo não alcança o nível desejado. Então, o egoísmo vem com a ideia de que o prestativo não é necessário. Este último se desespera por se sentir inútil e tenta fazer tudo da melhor maneira possível, o que no fim nunca será o suficiente. E entramos nesse círculo vicioso, já que o egoísta não consegue fazer tudo sozinho e o prestativo não sabe fazer  tudo perfeito.

 E com isso podemos facilmente dividir toda a humanidade. Até a pessoa mais desmotivada pode se encontrar em uma situação na qual quer se sentir útil. E até o ser humano mais neutro e sem opinião pode criticar algo mal feito. Vivemos julgando e precisando dos outros. Vivemos criticando aquilo que não podemos mudar. Vivemos procurando uma razão pra viver, alguma coisa pra fazer. Vivemos por nós mesmos, vivemos pelos outros. Vivemos por alguma coisa, por uma razão que talvez morreremos sem saber qual é. Apenas vivemos porque queremos.

 E queremos cada vez mais. Queremos independência, queremos apoio. Queremos ajudar e precisamos de ajuda. Queremos nos divertir e nos garantir. Queremos nos mostrar e queremos ser vistos. Todos queremos a mesma coisa. Queremos viver.