Uma mulher da noite

Sou uma mulher da noite, mas não a que você conhece. Os vestidos curtos, lindos e desconfortáveis, que imploram por uma semana de alimentação leve; os sapatos lindos que deixam calos do tornozelo até as pontas dos dedos; as bolsas que mal cabem os documentos mas esbanjam brilho, permanecem no armário sempre que possível. As noites de festas, luzes coloridas e músicas taquicardiacas são especiais, quase raras.

Sou uma mulher da noite, mas não a que você julga repleta de tédio: olhadas para o teto, assaltando a geladeira, vendo nada na televisão ou matando tempo na internet. Noites improdutivas são para dormir.

Sou uma mulher da noite de vícios: conversas de perder horas e esquecer o relógio; sentimentos tão belos e complexos que só a luz da lua consegue decifrar e transformar em poemas; madrugadas de estrelas, tão frágeis quanto as nuvens; livros lidos como filmes; filmes vistos como memórias vivídas em outras vidas; histórias tão loucas que se tornam realidade; vinhos bebidos como poções mágicas para risadas e aventuras; fuga para lugares inesperados. A madrugada é o momento de fazer tudo aquilo que ninguém acreditaria mas qualquer um gostaria de ter feito. É o momento em que não há olhos julgando seus sorrisos e pensamentos. As lágrimas da madrugada são as mais verdadeiras e inevitáveis. Após a meia noite é a hora de libertar a curiosidade, a sede por conhecimento, seja do próprio corpo ou do mundo de outros. A noite não apenas esconde segredos, muito mais os revela, porém poucos estão acordados para ler e escrever noites inesquecíveis e intimistas, a ponto de serem lembradas na manhã seguinte como sonhos. E quando você se pergunta “aquilo aconteceu?” incrédulo e em êxtase é que sabe o que é viver como um amante de luas.

E se nada disso te trouxer lembranças que fujam do clichê das matinês, então você nunca conheceu uma mulher da noite.

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Em um futuro perfeito…

 “Eu não pertenço a esse lugar.” disse uma menina de 7 anos em meio a um dia de sol à minha mãe. Ela cresceu, decidiu viajar o mundo e mostrar a todos a beleza nele existente. Sofreu com a tristeza que viu e sorriu durante inúmeras tardes ensolaradas. Fotografou momentos lindos, outros, guardou para si. Absorveu todas as informações que pode das pessoas mais sábias ao seu redor. Deixou de viver pequenas aventuras para atingir objetivos gigantescos. Sonhou muito mais durante o dia do que enquanto dormia. Apaixonou-se por detalhes, pessoas e por ela mesma. Nunca pertenceu a lugar nenhum, mas sim ao mundo. 

Pelos meus 3 anos de blog e 18 anos de vida. Espero poder ser a Isabela de 50 anos que imagino escrevendo esse texto. Por enquanto, sou apenas a de 7, que sonha em conhecer o mundo e quem sabe encontrar um lugar ao qual poderá pertencer.

Agradeço a todos vocês que leem meus textos ocasionais, um beijão.

Caminhos de estrelas

As vezes acordo no meio da noite e imagino como seria se eu pudesse ter outra vida. Outras pessoas, outros lugares para visitar, outros hábitos. Um mundo novo todo meu.
Um eu novo também. Mas como seria? O que adicionaria e o que eu tiraria desse meu atual mundo, para transforma-lo em outro diferente? Não apenas melhorado, diferente.
E nesse momento eu percebo que jamais gostaria de um mundo diferente, pois gosto de ser quem sou. E é esse meu mundo que me fez ser eu.
“Diga-me com quem andas que direi quem tu és” foi o que minha mãe sempre me alertou. Mas a frase está incompleta. Não é apenas com quem eu ando que me define. É também por onde ando e como ando.
E nesse momento, eu ando por um chão de estrelas entre os caminhos dos meus sonhos. Cada vez chegando mais perto do fim, tomando curvas e fazendo meia-voltas, andando em círculos porém sempre seguindo em frente. Quem sabe um dia eu chegue em algum novo lugar. Ou então apenas continue por aqui, com pessoas novas e meios novos de andar.
Nesse planeta tão pequeno mas ao mesmo tempo tão grande, 7 bilhões de pessoas com seus próprios mundos, formando um só. Caminhos se entrelaçando, ruas de apenas uma via se juntando a outras e formando uma grande rodovia. Filas e filas de espera para realizar aquilo que devia ser feito agora.
Somos todos diferentes, porém funcionamos do mesmo jeito. Movidos pelos sonhos, ou pela falta deles. Construindo nossos mundinhos sobre um mesmo chão de estrelas.