Meu Ano de Vestibular

Inicialmente digo que vou sentir falta de cada momento bom que tive esse ano. Comparados aos momentos de estresse e obrigações, foram poucos. Mas, nesse caso, os fins justificam os meios.

Escrevo esse texto em uma madrugada, três dias antes da prova que eu estudei o ano todo para fazer, e mesmo assim escuto que não será o suficiente, justamente das pessoas que mais deveriam me apoiar nesse momento. A verdade é que está todo mundo de saco cheio, e eu sei que só escuto isso porque não mostro que estou surtando. Quero parecer bem, feliz, confiante; por mais que em diversos momentos eu não me sinta assim. E não digo isso porque penso que deveria ter estudado mais, ou me organizado melhor. Na verdade, acho que não importa o quanto eu estudasse, sentiria e ouviria as mesmas coisas agora.

Foi o pior ano da minha vida até agora. Não levem a mal, mas eu sempre fui de fazer apenas o que gostava. Estudava porque gostava, fazia aulas de piano, ballet, handbol, natação, violão, canto, teatro, jazz, musculação, pilates, yoga, nado sincronizado… E esse ano parei tudo. Meus dias pareciam vazios. Por mais que estudasse, no fim, se me perguntassem: “o que você fez hoje?” eu diria “estudei”. Eu amava minha vida cheia de aulas pelas quais eu era apaixonada. Esse ano tive que me contentar apenas com as de português, literatura, história e geografia. Mas em 2017, tudo volta ao normal. Na verdade um novo normal, no qual eu estudo jornalismo e tenho aulas interessantes durante a semana toda.

Criei uma raiva por química, física e matemática. Tenho certa facilidade, mas não gosto desse sistema mecânico e tão simples. Pode parecer difícil para muitos, mas é apenas uma questão de aprender um caminho de raciocínio e executa-lo repetidas vezes até ser capaz de “entender”. Eu gosto de aprender sobre o passado, os detalhes da vida de quem foi importante. A ideia de ser lembrado me fascina, e para os vestibulandos, muitos desses gênios apenas nos remetem às fórmulas. Odeio fórmulas. Mesmo assim, é a parte das exatas que mais entendo.

Esse sistema de ensino não faz muito sentido, todo mundo já sabe. O que importa agora é que deu certo. Vou finalmente aprender o que eu quero. E eu sempre soube o que queria. Estudar jornalismo foi uma escolha que eu fiz quando tinha poucos anos de idade, era o meu sonho infantil. A máquina de escrever, as câmeras fotográficas, as passagens de avião, de shows, os microfones de telejornais, de rádio, as frases feitas, as novidades, a arte de se comunicar com os outros sempre me atraiu, por mais que eu não fosse (e ainda não sou) a pessoa mais habilidosa para puxar  conversas. De certa forma gosto de me expor apenas em partes, manter um universo em que só quem eu deixo pode entrar (a minha cabeça apenas alguns podem tentar entender).  Eu sou curiosa, na verdade, pelo mundo dos outros.

Isso foi um desabafo. O que eu gostaria de poder dizer para todos os que ainda farão vestibular é: façam da forma que entenderem dar certo para vocês, mas deem o seu melhor em cada segundo. Já dizia minha mãe: preguiçoso trabalha duas vezes. Podem acreditar, se você quer passar para um curso de média-alta concorrência, esse não vai ser o melhor ano da sua vida. Mas isso não quer dizer que será ruim. E por último: ignorem os seus pais quando for necessário. Se eles lhe disserem para estudar mais, repense se deve ou não, e se lhe disserem para estudar menos, repense também. Eles já fizeram o vestibular deles, mas nem sempre são corretos ao julgarem como você faz o seu. O ano é seu; você faz o que quiser, porém não se engane jamais.

Finalmente completei essa jornada longa e exaustiva de ensino obrigatório. Só resta a saudade. Agora, vamos ao que ME interessa! 🙂

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