Notas de Outubro

Sobre o apartamento que já tem uma árvore de Natal: Ela ficava no cantinho da sala, perto da janela. Inofensiva, aparentemente. Ela esperava ansiosamente o Natal. Contava os dias, os presentes e as comidas que teria. Contava os primos, as primas e as tias que veria. E mais do que isso, contava os segundos para o ano acabar, para que tivesse novas chances de ter a vida que desejava, para que pudesse talvez fugir daquele marasmo que era viver no apartamento à beira mar, presa a uma família que vive cada um a sua vida enquanto ela vive todas, sem aproveitar nenhuma. Ela era a base de uma estrutura pesada, insustentável, instável e talvez naquele próximo ano poderia se livrar de todos e viver uma vida só dela, sem outros. Mas aquele ano seria exatamente como foi o que esperava ansiosamente acabar, pois ela era a mesma, o marido, os filhos, a avó, as tias, os primos, a casa, a rotina, tudo permaneceria igual e todos precisariam dela ainda por algum tempo, até que suas energias se esgotassem e ela se visse sem vida alguma para viver, lembrada como uma pessoa maravilhosa e santa, que estava sempre de bem com a vida e nunca saía da zona de conforto. Os anos trouxeram os novos dias, mas não os milagres que tanto desejava, ou a coragem para torná-los realidade.  

 2016 acabará em 42 dias. Não se iluda com a ideia de um grande ano, viva uma grande vida em todos eles. 

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