Minha miniatura

Faz oito anos que eu deixei de ser uma criança, e me tornei a irmã mais velha. Faz oito anos que eu convivo com um ser exatamente igual a mim em aparência, mas totalmente o contrário em personalidade. Eu queria vermelho, ela quer azul. Eu queria tocar guitarra, ela quer tocar piano. Eu queria tirar fotos, ela quer ser fotografada. Eu caía e chorava, ela cai e volta a correr. Eu me soltava em cima de um palco, ela já é solta por natureza.

Estou longe de ser a melhor irmã do mundo. Passo meses sem brincar. Mas sei que mais do qualquer outra coisa nesse mundo, ela sempre vai estar feliz enquanto estiver comigo. Temos dias de puro amor e outros de muitos gritos. Às vezes eu a abraço forte demais, às vezes é ela quem o faz. Mas no fim, nossas covinhas continuarão se afundando em nossas bochechas sempre que alguém nos perguntar “Você é a irmã dela?”.

Ser irmã é ser tudo ao mesmo tempo. Ajudar como uma amiga, aconselhar como uma avó, preocupar-se como uma mãe, brigar como inimiga, incomodar como um tio chato, cuidar como uma babá, divertir como um pai. Mas, no meu caso, sem obrigações. Tudo o que faço por ela é porque realmente quero. Eu não tenho um papel sólido. Posso ser qualquer coisa para essa criança. Posso também não ser nada. Mas no fim, nada disso importa. Ela sempre vai ser a minha “mini-cópia”.

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